1ª Parte

 

 

 

        

 

 

 

 

Há muito que a Yhonathannah (equipe da FozIber) planeava esta página que não só irá aplicar-completar muitos textos já escritos e aparentemente esparsos, como expandi-los conduzindo a novas interrogações. Mas não é só da nossa web que se trata; este conjunto de documentos sobre o taoismo vai congregar também os nossos dois blogs a saber: Estudos Sobre a Ásia e O Porquê de um Curso de Literatura de Religiões (FozIber Krypta). Paralelamente, a exposição será feita via videoconferência.

 

 

Desde os grandes furores científicos dos anos trinta a cinquenta com a ascensão dos sputniks, das estações orbitais, da ida à Lua, dos grandes avanços da Relatividade Generalizada e Restrita de Einstein, dos grandes avanços na Bioquímica, na Engenharia Genética, enfim, do grande bum científico, que muitas religiões decidiram entrar na corrida demonstrativa do « já estava escrito aqui no meu Livro Sagrado... ». Num repente descobria-se que a Bíblia e o Corão, por exemplo, afirmavam que a Terra era redonda e que o elemento ferro, vindo dos céus, estava contido nesses e outros livros do sagrado ou porque surgiam implicitamente baixo aquilo que parecia ser um nome de um personagem, ou porque a soma do termo no idioma do Livro somava o número equivalente ao número atómico do ferro na tabela de Mendeliev. A busca atingiu tal ponto que já não havia analfabeto – e continua a não haver – que não fosse cabalista hebreu ou das arábias. Mas que aborrecimento, só depois da ampla labuta e suor dos cientistas que sofreram as radiações das máquinas e dos elementos nos seus corpos e disso morreram plenos de dores e repletos de cancros e tumores, e só após as descobertas completadas é que os nossos teólogos descortinaram que afinal não havia nada de novo sobre a Terra.

Não, não é por aqui que caminharemos, porque e conforme consta no documento Taoista O Grande Ensinamento, a meta da Humanidade é, tal como sempre foi:

« ... manter a auto aprendizagem como a coisa mais essencial da vida ... » assentando isto na « ... investigação de todas as coisas. Quando as coisas são investigadas, o conhecimento expande-se. »

Hoje há, também, um frenesim o qual não corrobora connosco e, claro, tampouco com o Taoismo, o Budismo, o Tibetanismo ou o Hinduísmo e que assenta na histérica necessidade de demonstrar pela lógica argumentativa que « a minha é a religião verdadeira. » Debates sobre debates inúteis, horas a fio despendidas em disparates e grosseirismos inundam as salas dos diferentes grupos onde não só nada se aprende como destrona quem busca e não só se vê maltratado como, ainda por cima, observa com tristeza os seus símbolos e credos serem vilipendiados, espezinhados e escarrados.

Claro que há que ressalvar as inúmeras e magníficas salas existentes em todos os grupos do PalTalk e que o tornam uma ferramenta de comunicação importantíssima com todo um sistema de protecção muito completo, não obstante sabermos que neste mundo volátil da cibernética os hackers serão sempre os nossos visitantes mais assíduos. Neste sentido e dentro das religiões, filosofias e modos de vida, escolas ocultísticas, etc, sobre elas falaremos transmitindo-vos aonde se encontram e os seus horários, apresentando sobre elas uma súmula que, esperamos, seja digna delas e as enobreça dentro do seu próprio mérito o que aliás já temos feito nas nossas duas salas no PalTalk.

 

 

 

 

A Primeira Semana de  Exposições

 

 

Esta sala começou a 16 de Maio de 2005 iniciando por exibir o cuidado, incluso o sintáctico, da leitura dos documentos arcaicos ou tão chamados de originais o que certamente nunca o serão. Ora se Lao Tze, ou Lao Tzu – como quiserdes, porque só na China há no mínimo cinquenta e seis idiomas, fora os dialectos, os quais possuem pronúncias muito diferentes para a mesma palavra ou nome -, afirma que « ... quem fala do Tao não o conhece e quem não fala é quem o conhece ... » e ele próprio escreveu sobre ele dizendo-se conhecedor; seguramente que há aqui uma aparente contradição. Se digo ‘aparente’ é pelo defeito de leitura que muitas vezes possuímos e muitos factores podem contribuir para essa falta ou desatenção. Claro que, na sala, alguém obstou afirmando que Lao Tzu tinha sido obrigado pelo imperador a escrever; mas aqui exibi haver uma confusão porque em nenhum documento antigo isso consta... essa obrigação vê-se escrita nos anais chineses mas referente a Confúcio.

O que é que, portanto, Lao Tzu quer dizer com a primeira afirmação que dele exibi? Passemos à primeira poética da sua obra Tao Te Ching que na realidade se pronuncia Dao de Jing:

 

« O Tao que pode ser expresso não é o Tao absoluto

O nome que pode ser revelado não é o Nome absoluto

Sem Nome é o princípio do Céu e da Terra

Com Nome é a Mãe de todas[1]

. . . . »

 

Antes de mais Passemos a uma parte do poema vinte e cinco, da mesma obra, a fim de entender porque razão cumpri, como tantos outros tradutores, o ‘Céu‘ e a ‘Terra’ com as suas primeiras letras maiúsculas:

 

« . . . .

Por isto o Tao é supremo

O Céu é supremo

A Terra é suprema

O Homem é supremo

. . . . »

 

Acho que pelo supremo destas coisas assim as posso realçar em maiúsculas, vertidas é certo, de um idioma – que como quase todos os idiomas arcaicos – cuja escrita é uniforme, isto é, sem maiúsculas ou minúsculas. Mas, voltando ao nosso primeiro assunto, podemos facilmente concluir que a afirmação de Lao Tzu « ... quem fala do Tao não o conhece e quem o conhece não fala ... » se reporta ao Tao Absoluto e isto pode ser constatado no I Ching (I Jing) aonde se exibe a impossibilidade de alguém ser absolutamente seja o que for. Todos possuímos aspectos absolutos intrínsecos mas a linguagem não nos permite exteriorizá-los mas, na generalidade e na nossa vida exterior terrestre, actuamos nas mutações, isto é, nas tendentes para. E se assim não fora a minha afirmação ‘a impossibilidade de alguém ser absolutamente seja o que for’ pela sua forma absoluta seria em si contraditória.

É este um cuidado, dos muitos, a ter na leitura e o outro assenta no facto de que uma poética como um versículo de per si não se resolve, porque em tudo actuamos por comparação – a isto chamamos sistema analógico – estando sempre presente as necessidades dos sistemas dedutivos entre os quais se encontram os cabalísticos e por estes não estou a afirmar os judaicos porque todo o Oriente é riquíssimo nesta matéria tal como o I Jing o demonstra para a literatura antiga, clássica ou sagrada chinesa... toda esta última trilogia é o significado do termo chinês Jing.

 

 

 

O Caminho do Grande Ensinamento[2]. E foi para aqui que imediatamente avancei porque sobre o anterior nada mais havia a acrescentar por ‘ora. E, traduzindo do chinês assim expus:

 

« O caminho do grande ensinamento consiste no permitir manifestar a brilhante virtude de cada um de nós;

Consiste no amar todos os seres;

Consiste no permanecer na perfeita bondade.

Quando um ser sabe onde deve parar,

Alcança a estabilidade;

Quando um ser alcança a estabilidade, alcançou a tranquilidade.

Quando um ser alcança a tranquilidade, encontra-se em paz.

Quando um ser se encontra em paz, está apto a deliberar.

Quando um ser está apto para deliberar pode alcançar os seus almejos. »

 

Vou parar por aqui a fim de dar algumas explanações do já exposto para aquilo em que o texto vai prosseguir. O idioma português é de longe aquele que permite uma melhor tradução dos inúmero idiomas arcaicos seja qual for a sua origem nesta esfera terrestre; e se não, observem. O termo virtude não tem nada a ver com o conceito ocidental moderno[3], tem a ver – e isso sim -, com condão, aquela virtude-poder que uma pessoa pode ter, fruto de algo desconhecido e que lhe concede a vidência, o poder da cura milagrosa, etc... tudo aquilo que nessa época medieva se tachou de bruxos e bruxas eliminados pelas vergonhosas fogueiras papais.

Agora e na continuação deste texto, O Grande Ensinamento, quero alertar-vos para outros simbolismos que nada têm de especial para quem conhece o Bhagavad Gita. Aqui e nesta continuidade o texto chinês vai afirmar Estados, os seus governos – e governantes -, clãs, famílias... enfim, grupos de algo que parece tratar de situações nacionalistas e sociais de povos. O Bhagavad Gita também aparenta a exibição de uma guerra entre clãs, famílias e mesmo uma guerra mundial mas e na realidade, trata-se da nossa luta interior como conhecemos nas artes marciais: só há um combate e esse é dentro de nós. Desta forma e como continuarei a expor, ficaremos agora apenas com a ideia de que tudo o que parece alheio a nós apenas se dirige a cada um de nós. Olhemos as células que compõem o nosso corpo as quais possuem todo um conjunto de dados incalculável a que hoje chamamos trivialmente de ADN mas que nos permite entender que cada célula está apta para nos ensinar e para ser por nós instruída. Então e apenas do ponto de vista físico vou apelidar de clã ou família no seu conjunto formativo de um dos muitos órgãos que possuímos: claro que e pelo afirmado anteriormente, cada célula possui a sua própria formação e personalidade.

Então e pelo já exposto, prossigamos com o texto chinês tendo agora essas ideias em mente:

 

« Todas as coisas têm os seus ramos e as suas raízes;

Os afazeres e os negócios sobre a Terra têm o seu princípio e o seu fim.

Quando um ser sabe o que deve vir primeiro e o que deve vir no fim,

então está perto do caminho, muito perto do Tao.

Os antigos quando queriam manifestar a sua brilhante virtude

perante todos (os membros da sociedade),

Primeiro governavam devidamente os seus estados.

Mas, para governarem devidamente os seus estados,

Primeiramente tinham que harmonizar os seus clãs.. as suas famílias.

Mas para harmonizarem os seus clãs, as suas famílias,

primeiro tinham que se autocultivarem.

E para se autoeducarem,

primeiro tinham que corrigir as suas mentes, os seus pensamentos.

Mas para corrigirem as suas mentes, os seus pensamentos,

primeiro tinham que tornar as suas vontades e desejos sinceras.

E para manterem os seus pensamentos e a s suas vontades sinceras,

primeiro tinham que expandir o seu conhecimento.

A expansão do conhecimento consiste na investigação das coisas[4].

Quando as coisas são investigadas, o conhecimento expande-se.

Quando o conhecimento é expandido,

a vontade, os desejos e os sentimentos,  tornam-se sinceros[5].

Quando a vontade, os desejos e os sentimentos se tornam sinceros,

a mente e todos os pensamentos se encontram correctos.

Quando a mente e os pensamentos estão correctos[6],

o ser está autocultivado.

Quando o ser se encontra autoinstruído,

o clã, a família, está harmonizada.

Quando o clã, a família, está harmonizado,

o país - o eu e o Eu -, encontra-se devidamente governado[7].

E quando o país se encontra assim, há paz sobre toda a Terra.

Porque desde os seres mais superiores de toda a hierarquia espiritual,

incluindo as potestades, os senhores dominantes deste mundo –

até ao povo mais comum[8]

todos devemos resguardar a autoaprendizagem

como a coisa mais essencial.

É impossível possuirmos uma situação que nos é essencial

em desordem

e afirmar que as coisas externas estão devidamente controladas.

Simplesmente não devemos assumir as coisas essenciais

como superficiais;

tal como ater  as coisas superficiais como essenciais. »

 

Pelo aqui exposto observamos a necessidade de um conjunto, pequeno é certo, de coisas não muito fáceis – mas esta facilidade depende de cada um – para caminhar no sentido do Tao, do caminho, e tudo isto é tão importante que não se pode deixar de lado as informações-revelações que os mestres ou videntes (ambas as coisas) nos deixaram. Buddha afirma a determinada altura: « Não devemos acreditar numa coisa dita meramente porque foi afirmada.; nem em tradições apenas porque provêm de longa antiguidade; nem em rumores frutos dos contactos com os nossos antepassados; nem nos escritos dos sábios apenas por terem sido escritos por eles; nem em algo que suspeitamos ser fantasias apesar por nos dizerem que foram inspiradas por devas[9]; nem por inferências surgidas por qualquer acaso[10] assim por nós entendidas ou mesmo provocadas; nem porque aparente ser uma necessidade analógica[11]; nem porque possui a autoridade dos nossos professores ou mestres. E que quero eu dizer com isto? Nem mesmo em mim acrediteis! Mas devemos acreditar quando um escrito, doutrina, ou uma afirmação corrobora com a nossa consciência e razão. Por isto » disse Buddha concluindo « Eu ensino-vos a não acreditarem meramente pelo que ouvem, mas quando uma afirmação, uma doutrina ou um escrito corrobora com a vossa consciência, então e neste caso, devereis actuar de acordo e abundantemente. »

E eu pergunto: ao longo de uma vida quantas poucas coisas iram corroborar connosco, com a nossa consciência? Porque se estivermos conscientes, isto é, fora da credulidade o que implica fora dos medos, dentro da nossa consciência concluiremos que muito poucas serão as novidades, mas se não nos apegarmos a essas novidades é mais uma vida empobrecida que efectuamos. Daí porque aclamo para que no profundo da nossa consciência aproveitemos tudo o que corrobora com ela. Agora, isto levanta uma dura realidade e que assenta na questão: aonde começa a nossa consciência e os nossos apetites... isto é, como destrinçar a consciência dos hábitos comezinhos que nos engastam e desgastam a vida?

Pondo de parte a moral, a ética, a estética e todo um conjunto de conceitos catalogados nos séculos XVII e XIX como metafísica – mas já advindo do século XI – a consciência é-nos intrínseca enquanto que as anteriormente focadas neste parágrafo são-nos plásticas, impostas ou filhas de uma modernidade qualquer. A consciência é uma complexidade intrínseca em nós  no nosso surgimento e, incluso, arrogo: na barriga da nossa mãe. É a consciência com a nossa disponibilidade de impor que permite o surgimento da Ética, da Estética, da Metafísica e de tantas outras formas como as ditatoriais, as positivistas, os Surrealismos, as Contra Culturas e todas as ideias anexas ou anti-dogmas. Mas aonde quer que se encontre uma brilhante ideia aí se encontra um perigo mesmo que ele se constate vivificador. Também isto deixarei para depois, porque agora quero prosseguir sobre a Consciência e a consciência.

Por mais inculta uma pessoa seja, por mais remota seja a região que viva, a consciência está sempre presente em cada ser. Nota-se nos seres que vivem nas regiões mais habitadas e de maior stress quando alguém afirma « ... caí em mim ... » O aspecto complexo da consciência nota-se na ânsia individualista do ser que afirma « ... eu penso assim e disto ninguém me demove ... » Pode-se reparar aqui alguns estados de consciência mas observa-se, também – principalmente na afirmação do não demover -, que já está patente toda uma ética e uma estética... talvez também uma metafísica, ou um lado positivista, ou anarquista, ou qualquer outra faceta filha das catalogações teóricas deste mundo. A consciência surge-nos sempre como algo individual, dissociado da dos outros... é o nosso ponto de vista no qual poderemos concordar ou discordar nos nossos diálogos com outros, em função das nossas intenções, estratégias, conveniências, discordâncias, imposições, etc. A consciência surge-nos sempre como um quintal secreto que possuímos e, normalmente, em relação a ela exteriorizamos sempre ideias vulgo dissimuladas, porque sentimos que dar a conhecê-las é falar demais de nós e tal, pensamos, é perdermos a nossa contra-argumentação, a nossa defesa, o nosso íntimo e, por aí adiante.

Mas a consciência só se torna em nós um quintal secreto quando os nossos pais, outros familiares e pessoas alheias incluindo professores, nos começam a censurar pela nossa excessiva imaginação e, pior ainda, nos tacham de mentirosos. Mas na verdade a consciência, na sua base, é universal, é a mesma de todos porque provém do espírito supremo e tal se conclui através dos estados de meditação, adoração e contemplação. Mas até atingir esta conclusão através destes estados ficamos sempre com o nosso conceito da particularidade desse nosso sentir, por feridos, magoados, tachados e sob o perigo de excluídos, vendemos a nossa alma ao consenso tal como a nossa vontade e todos os aspectos que daí derivam a tal ponto de pagarmos um dispendioso preço por uma dita individualidade dúbia que é aquela que a sociedade aclama « agora sim! É normal! ». A complexidade da consciência depende da sociedade em que vivemos mas como para o Tao tudo tem o seu objectivo para a realização única, a destreza a par com a estratégia – o tal saber mentir[12] - avança em práticas como as argumentações silenciosas e as artes marciais e abs not as duas são únicas, daí porque se afirma que o silêncio é de ouro enquanto a palavra é de prata.

Estas situações não são para serem torneadas a não ser temporariamente pela estratégia tal como pelo acto da indiferença, questões muito complexas que necessitam de todo um modus operandis que as antecedam, estejam presentes e as precedam e este modus operandis, felizmente, assenta numa única operação: o exercício da concentração que nos capacita à indução à meditação. Então e neste caso, baixo o aspecto meditativo, concluiremos que o nosso simples exercício de concentração necessita a determinada altura de ser acompanhado-alimentado por mais exercícios nos quais a concentração é o alicerce de todos. Assim a estratégia é um deles, a indiferença é outro mas tal como nos transmitiu Lao Tzu estas variedades aparentes surgem do auto-cultivo do ser, o tal aspecto que devemos resguardar como o mais importante em nós.

Ainda ontem numa sala budista em inglês[13], que considero muito boa, apresentaram uma gravação em que um Swami – infelizmente não cheguei a tempo para saber o seu nome -, expunha que havia quatro métodos de orientação da meditação reforçando a ideia de que nenhum de nós necessita de estudar sânscrito nem tampouco aprimorar os métodos de pronúncia no que concerne aos mantras ou sutras de indução à meditação nesse idioma. Segundo o Swami, cada um de nós pode usar o seu próprio idioma para esses quatro métodos orientativos da meditação e, deste ponto passou a expor os quatro métodos:

Começo por me concentrar em « Eu amo-me » e, desta forma, eu vou encarregar-me de mim próprio, vou procurar através da afirmação « Eu amo-me » induzir-me no estado de meditação para, numa primeira fase, me harmonizar: harmonizar os meus elementos terrestres, os dos outros planos e, por fim, procurar a completa harmonia entre o eu e o Eu.

Nesta outra forma eu vou dedicar-me ao meu próximo e afirmo « Eu sei que tu estás em aflição; eu amo-te, eu vou contribuir para a tua felicidade, eu vou procurar que tu te harmonizes a fim de alcançares a solução que necessitas para a tua vida. » Este caso muito natural quando quase no final da meditação nos encontramos com excedentes de energia a qual devemos aplicar em favor dos outros tal como do próprio planeta. Só que aqui, o Swami aconselha para alguém nosso conhecido que sabemos se encontrar em grandes falhas de energia não conseguindo, portanto, a harmonia fundamental. Claro que pode tratar-se de uma pessoa doente e mesmo num estado muito grave.

Esta é a forma que na realidade se dirige ao mundo e a todos os seus reinos: mineral, vegetal, animal e humano como uma globalidade, uma unidade, Então eu afirmo interiormente « Eu sou uno convosco. » E, desta forma visualizo a energia excedente em mim – aquela energia que possuímos quando nos encontramos devidamente harmonizados - a expandir-se sobre esse todo, que é a unidade de todos os seres deste mundo, e a harmonizá-lo.

Por fim, esta é a que o Swami considera mais difícil porque mexe com o orgulho humano, com o orgulho de cada um e que consiste em eu reconhecer todos os meus pontos fracos e falhos, todos os meus erros e necessidades – normalmente fruto da prática da retrospecção – e dirijo-me  a outra pessoa que eu sei ser um praticante assíduo de meditação expondo-lhe toda a minha situação e pedindo-lhe que medite a meu favor a fim de que se resolva a desarmonia que há em mim.

Eu recordo-me de toda esta apologia, exposta por este Swami, já dos anos setenta mas como não cheguei a ouvir o seu nome - na realidade a sua voz pareceu-me a de uma pessoa já com uma certa idade – não vos posso afirmar que tenha sido ele ou não a iniciar esta ideia de usarmos o idioma de cada um de nós em vez de nos esfalfarmos com a aprendizagem do sânscrito e da sua pronúncia que, para muitas pessoas, é um autêntico quebra cabeças. Sei que na altura tanto foi bem aceite como muito criticado pelos hinduístas em geral e por muitas correntes do yoga[14] em particular. Porém, se as quatro formas de meditação apresentadas são muito bem conhecidas pelo taoismo o mesmo se aplica à concepção da leitura dos mantras e sutras no nosso idioma materno não obstante se afirmar que os mantras sejam pronunciados segundo o idioma Chinês, Tibetano ou Sânscrito e isto porque os mantras em si não possuem significado, como mais adiante veremos, o que interessam fundamentalmente neles são os sons e as vibrações que eles nos concedem... ora, não se pode traduzir o que não possui significado e arranjar algo equivalente no nosso idioma é o mesmo que afirmar que um concerto instrumental alemão deve ser traduzido para italiano, ou para português, a fim de que se torne entendível nesses países. Porém, muitos povos nativos contém ainda bem conservados os seus mantras tal como muitos sons emitidos guturalmente, por estalidos da língua, pela voz, por instrumentos musicais manufacturados, etc. E esses sim, devem mantê-los.

Do ponto de vista do taoismo, entrar no estado de meditação é algo muito simples, porque todo o taoismo é simples e nisto, muitas vezes, reside a dificuldade... o ser humano tem uma forte tendência para complicar e hoje já nem se pode falar de ocidente ou de oriente; hoje apenas podemos falar das sociedades mais nativas às quais a simplicidade, por vezes, ainda é inerente contrariamente às sociedades ditas modernas espalhadas e muito vincadas já em todas as partes do mundo. Claro que há sociedades nativas muito complicadas segundo determinados pontos de vista mas tal é uma aparência para quem ainda não se integrou nelas.

O taoismo - como o budismo, o tibetanismo e o hinduísmo - procura[15] usar como mantras desde uma forma monossilábica como o OM a formas polissilábicas, mas tanto uma como as outras não possuem qualquer tipo de significado. Alguém poderá obstar afirmando que o OM é o som primordial e está correcto na sua afirmação mas esse é o símbolo e a notação sonora do OM e não o seu significado. OM – ou HUM (hung em que o ‘g’ é deglutido e não pronunciado) que é a forma de pronúncia do OM no final de um mantra polissilábico – pode possuir os seguintes significados segundo o dicionário de sânscrito: recordação, recolecção, dúvida, assento, raiva, aversão, reprovação e interrogação. No contexto de uma afirmação feita por alguém o som ‘hum’ é facilmente entendível para um ocidental como uma forma reprovativa, ou mesmo de raiva ou de aversão. E como som primordial também é facilmente entendível como recordação e recolecção. Porém e a mim me questiono, será por OM significar interrogação ou mesmo ser uma forma interrogativa que os mestres afirmam que todo e qualquer mantra é em si uma interrogação? Deixo-vos isto para quem esteja habilitado a responder e a elucidar.

Após e por isto, quero exibir-vos, então, um mantra de grande significância quer no sânscrito quer no Tibete; poderia mesmo afirmar que é o mantra iniciático e na realidade o é mas fora das concepções iniciáticas do ocidente, não por as considerar erradas mas e isso sim, o manter na sua originalidade aonde o termo iniciático quer significar apenas para quem está a aprender, para quem está no início; não obstante, este mantra deverá durar inúmeras reencarnações porque ele é desde o início até ao fim de todo os ciclos das vidas algo de muito precioso. Em sânscrito diz-se OM MANI PADME HUM (humg) e em tibetano OM MANI PEME HUM.

Ora, tanto em sânscrito como em tibetano este mantra possui seis sílabas e isto porque quando analisamos uma afirmação muito importante nativa – oriental ou ocidental – sabemos a suma importância de a decompor em sílabas para um mais profundo entendimento; aliás, é desta forma que nos é concedida a capacidade de descriptar idiomas e por aí sabemos, por exemplo, se esse idioma desconhecido é alfabético ou silabário. Mas a importância das sílabas vai a par com a sonoridade e a musicalidade. Então, quando queremos descriptar um idioma há muito desaparecido vamos pela música tradicional de um povo estudar as probabilidades de estarmos presentes perante um alfabeto ou um silabário. Bom, mas não é por aqui que pretendo caminhar porque esta sala não é vocacionada aos aspectos filológicos.

Mas a sonoridade e as vibrações silábicas são de suma importância para a análise da força de um mantra e, da mesma forma, o número da sua subdivisão concede-nos a completude da simbologia intrínseca a ele. Isto é, ou a simbologia corrobora e o mantra pertence à região e cultura que afirmam ou não e, daí e neste último caso, dizemos ter sido adoptado de outra região. Tanto em tibetano como em sânscrito observa-se que o mantra que estamos a focar advém do mundo taoista e, entre muitas coisas (como veremos), as seis sílabas nos confirmam. Passemos, então, à decomposição dessas seis sílabas em sânscrito e em tibetano:

 

OM

OM

MA

MA

NI

NI

PAD

PE

ME

ME

HUM(g)

HUM(g)

 

Estas sílabas vão a par (e vice-versa) com as seis linhas dos hexagramas do I ChingI Jing – o qual é um documento (dos vários) central do taoismo. Mas também vão a par com os seis pontos fundamentais da acupunctura do norte da China, isto é, da Terra do Taoismo tal como com muito mais, tal como com a música, como mais à frente observaremos.

Em 500 – 600 AEC[16] muitas obras chinesas e em especial as taoistas foram definitivamente compiladas; tal aconteceu com o Panchatantra, com o I Jing e com as obras de Lao Tzu, dizendo-se estas últimas escritas por ele mas que naturalmente possuirão, organizadas por ele, transmissões muito mais antigas[17]. Mas o I Jing, infelizmente catalogado em livrarias e bibliotecas no meio dos documentos divinatórios[18], sofre o alheamento intelecto-espiritual que merece e acaba – como tem acontecido -, por cair nas mãos daqueles que usufruem financeiramente dos incautos, necessitados e desesperados pelas vicissitudes humanas.

Parece que aqui saltei do contexto mas prefiro dizer-vos que apenas abri um parêntesis importante para nos pôr de salvaguarda em relação a toda a especulação que, imerecidamente, faz brilhar pela pecúnia autores de livros de cordel no acérrimo do termo. Mas e para um alto contraste, vós possuís na Internet e inclusive as embaixadas vos proporcionam, estudos de chinês e de sânscrito completamente gratuitos tal como material tibetano só que este necessita de contribuições e de pagamento para suporte desse martirizado povo no exílio... todos estamos a par desta desgraça. Mas sobre todo este material gratuitamente à vossa disposição e em caso de qualquer dúvida é só comunicar à FozIber, através da nossa página, e em tudo o que estiver ao nosso alcance vos elucidaremos e reencaminharemos.

Antes de terminar esta parte – este entre parêntesis - quero agradecer de sobremodo à AFPC – Associação Francesa dos Professores de Chinês – por toda a literatura taoista exposta gratuitamente na Internet tal como os sistemas afins que exibe para a aprendizagem do idioma, à Matrix e ao Ashram Omkarananda pelo material de instrução e outro sobre o sânscrito, os seus documentos e os cânticos de mantras e sutras. Claro, que muitos mais deveria focar mas tal o farei à medida que a eles me reporte por qualquer citação, imagem ou qualquer outro aspecto. Porém e por lado escusei-me, à última da hora, de lamentar determinados sites tal como centros taoistas no ocidente cujas deturpações feitas ao Tão Te King (Dão De Jing) já aberram ao ponto de lhe acrescentarem simbologias cosmogónicas, Alquímicas, etc, típicas rosacrucianas e maçónicas. Nada tenho contra estas escolas, apenas afirmo que deixem as obras clássicas (jing), seja de que povo forem, nas suas traduções que vêm sendo executadas por pessoas idóneas desde o século XVII, pelo menos.

 

Fica assente, portanto, que qualquer mantra não possui significado porque o fim é não permitir que os nossos pensamentos nos invadam durante a prática da concentração que nos conduz à meditação; para uma perfeita concentração exige-se a paragem dos nossos pensamentos interiores os quais advêm em grande quantidade do nosso plano astral, isto é, o plano dos sentimentos e dos desejos... mas também o plano dos nossos devaneios, fugas e conjecturas, tal como das mentiras e outros aspectos afins; mas que, obviamente, também possui inúmeras qualidades muitas delas em estado latente em nós e é com e neste plano que muito temos que trabalhar tal como afirmava Paulo sobre a nossa guerra não ser deste mundo e na Carta aos Efésios completa dizendo (cap. 6, vs. 12) « Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. »

A concentração implica o parar dos nossos pensamentos interiores, o parar os nossos diálogos internos, a supressão da instabilidade do pensamento, usando numa fase inicial – isto é, antes de se alcançar a maestria (e para a obter) do silêncio interior, daquele vazio que o taoismo constantemente fala – qualquer tipo de objecto[19] externo a nós mas sem nunca prescindirmos do mantra o qual, pela ausência de significado, é sempre exterior a nós. Porém, se durante o processo de concentração os nossos pensamentos, ou o nosso diálogo interno, invadirem a nossa mente é ideal que os deixemos fluírem por algum tempo e ao pôr-lhes um termo retomamos o nosso exercício de concentração nem que tenhamos que recitar o mantra em voz alta para fazer cessar esses pensamentos e, desta forma, retomar o controlo e quando este for retomado poderemos voltar a pronunciar o mantra mentalmente.

Mas e prosseguindo com o mantra que já apresentámos, há que ter em consideração que a tónica em que ele é recitado é a mesma em que toda a natureza assenta e que é a nota musical e precisamente porque ela é o som base de toda a natureza é que todos os instrumentos musicais são por ela afinados. É assente nela que todos os povos nativos constroem e afinam os seus instrumentos. Um dia, em minha casa, em Portugal, numa reunião de amigos haviam também alguns músicos e um deles muito preocupado por lhe ter desaparecido o diapasão da nota procurava que algum outro lho emprestasse para poder afinar o seu piano que já apresentava vários problemas. Claro que o diapasão, pelos metais nobres que o compõe, é uma peça muito cara e, como é natural por anteriores acontecimentos em que a vários dos músicos o mesmo tinha acontecido, de uma forma ou de outra todos se escusavam... era como se repentinamente todos tivessem os seus instrumentos com necessidade de serem afinados. Mas notei que todos os outros, não músicos, já estavam saturados daquela desgarrada de pedinchice tal como das escusas mais rascas ou foleiras e aí, para voltar ao ambiente de confraternização, decidi actuar e virando-me para o infeliz que perdera o diapasão perguntei-lhe «ouve lá... depois de tanta cerveja não tens vontade de urinar?» ao que ele atónito me disse que sim «então vai lá  mas procura urinar mesmo no centro da água da sanita e quando estiveres a fazê-lo usa a tónica do som da urina a cair na água e entoa-o; assim obterás o som do teu diapasão e poderás afinar o teu instrumento.»

O vento, o trovão, a chuva, o som dos pássaros e de todos os animais, o som dos rios e das quedas de água, uma pedra que se atira a um charco, enfim, todo o som natural exibe a nota por isso os nativos não necessitam de um diapasão porque eles sabem ouvir e entoar o som da natureza. Ora, é nesta tónica que o nosso mantra deve ser pronunciado, mentalmente ou em viva voz porque ambas as formas devem ser por nós diariamente adoptadas. Claro que a partir dessa nota musical depois podemos fazer as nossas variações, o que acontecerá naturalmente, quanto mais através da pronunciação do mantra formos induzidos naqueles estados a que muitas vezes denominamos de êxtase  e que na realidade o é pela elevação a que o mantra nos vai conduzindo através do aprofundar da concentração. Através deste processo em viva voz, quantas vezes não experimentamos uma estranha sensação que só podemos traduzir por liberdade e felicidade? Praticai e vereis.

É com uma certa relutância que vos vou apresentar os vários simbolismos das seis sílabas do mantra que estou a abordar. E digo-vos ‘com relutância’ porque receio que nos novatos nesta matéria esse simbolismo possa vir a contribuir para uma distracção idêntica a se o mantra tivesse significado, isto é, possa vir a contribuir para apelar ao ressurgir, no exercício de concentração, dos pensamentos internos de cada um. Porém, este material é tão importante que não posso deixar de prosseguir com este assunto.

 

Om

Representa o corpo de todos os Buddhas. Som que inicia todos os mantras.

MaNi

Representa a Jóia.

PadMe

É a pronúncia em sânscrito de PeMe em tibetano e significa Lótus.

Hum(g)

Representa a mente dos Buddhas e é a pronúncia Om no final dos mantras.

MaNi

Reporta-se à Jóia de Chenrezig nas duas mãos centrais.

PeMe

Reporta-se ao Lótus que é segurado na segunda mão esquerda.

 

 

 

Mas, agora, sílaba a sílaba com o fito de encerrar a porta dos sofrimentos:

 

Om

Fecha as portas dos renascimentos no mundo dos devas

Ma

Fecha as portas dos assuras – os semi deuses do mundo.

Ni

Fecha as portas dos ansejos (ilusões) humanos.

Pe

Fecha as portas do mundo animal.

Me

Fecha as portas dos ódios (dos pretas).

Hum(g)

Fecha as portas dos mundos infernais.

 

Cada sílaba possui o seu efeito purificador genuíno:

 

Om

Purifica os véus do corpo.

Ma

Purifica os véus do discurso.

Ni

Purifica os véus da mente.

Pe

Purifica os véus das emoções em conflito – emoções conflituosas.

Me

Purifica os véus dos condicionalismos latentes.

Hum(g)

Purifica os véus que cobrem o conhecimento.

 

Cada sílaba é em si uma oração:

 

Om

Oração dirigida ao corpo dos buddhas.

Ma

Oração dirigida ao discurso dos buddhas.

Ni

Oração dirigida à mente dos buddhas.

Pe

Oração dirigida às qualidades dos buddhas.

Me

Oração dirigida às actividades dos buddhas.

Hum(g)

Acção de graças unificadora do corpo, do discurso, da mente, das qualidades e das actividades dos buddhas.

 

Cada uma das sílabas corresponde aos seis paramitas: as seis perfeições transcendentais:

 

Om

Generosidade.

Ma

Ética.

Ni

Paciência.

Pe

Diligência.

Me

Concentração.

Hum(g)

Sabedoria.

 

Cada silaba está intimamente ligada aos seis buddhas que reinam sobre as seis famílias de Buddha:

 

Om

Ratanasambhava.

Ma

Amaoghasiddi.

Ni

Vajradhara.

Pe

Vairocana.

Me

Amitabha.

Hum(g)

Akshobya.

 

Há também a ligação destas seis sílabas às seis sabedorias:

 

Om

Sabedoria da equanimidade.

Ma

Sabedoria da actividade

Ni

Sabedoria intrínseca – nascida de si própria.

Pe

Sabedoria do dharmadhatu.

Me

Sabedoria descriminadora – da descriminação.

Hum(g)

Espelho reflector da Sabedoria

 

 

 

Os raios de cor contínuos para beneficiarem os seres:

 

Om

Branco.

Ma

Verde.

Ni

Amarelo.

Pe

Azul petróleo ou azul celeste do nascer ou pôr do sol.

Me

Vermelho.

Hun(g)

Negro.

 

Os mantras são manifestações de sons provenientes do vazio e do ponto de vista da absoluta verdade e do vazio em si, o mantra não possui qualquer existência; quero com isto dizer-vos que, do ponto de vista abordado, não há som nem mantra. Os sons e os mantras tal como todas as outras formas que se nos manifestam localizam-se nos aspectos relativos que provêem do vazio. Ora isto é facilmente entendível através do I Jing ou quando Lao Tzu afirma, no Dao De Jing que é o orifício da roda que permite o movimento do carro e não a roda em si ou o eixo e por isso vos tenho vindo a afirmar que todas as obras taoistas são fundamentais mesmo quando afirmo que o I Jing é uma obra fundamental do taoismo.

O vazio, o esvaziar-se, é a meta do Dao, mas no ambiente do mundo relativo os sons desviam-se da sua própria identidade: o vazio; possuem o poder de designar, possuem o nome e actuam na mente... também ela relativa. D’onde, qualquer afirmação que se faça para nós ou para outros os termos usados não são coisas mas apenas sons que evocam pensamentos afins produzindo o relativo efeito na mente de acordo com o que pretendem. Ora, é desta mesma forma que no domínio do relativo – no mundo das mutações - que os mantras possuem o seu grande e mesmo infalível[20], poder de acção.

Afirma-se que os mantras estão muitas vezes conectados com os nomes dos buddhas, dos bodhisattvas ou das divindades e assim o é tal como se afirma que estão intimamente ligados às linhas do I Jing que traduzem o mesmo. Ora o Om Mani PeMe Hung (ou PadMe) é uma forma de denominar Chenrezig[21]... mas do ponto de vista do absoluto Chenrezig, tal como o Tao, não possui nome porém, para este mundo de relativos, de mutações, os nomes tal como os domínios são necessários porque estes nomes são os vectores da compaixão, da graça e da força das vontades, dos desejos e dos sentimentos para o benefício dos seres sobre e neste mundo. Desta forma, o pronunciar dos nomes, implicando todos os atributos afins através da sonoridade, transmite as qualidades das suas mentes tal como no I Jing as linhas dos hexagramas o fazem. Desta forma se exibe a exposição sobre o supremo acto de elevação do ser porque o mantra é o seu nome e da forma como assimilarmos esse nome como nosso, dessa forma nos tornamos uno com ele, tal como e da mesma forma, neste mundo do relativo, o mantra se identifica com a divindade formando uma una simples realidade a tal ponto que, quando um de nós recita o mantra, recebe a graça da divindade; visualizando a divindade cada um de nós recebe a mesma graça sem qualquer tipo de diferença.

E nisto, tal como sobre esta matéria, o Zen com enorme grandeza corrobora com o taoismo afirmando em uníssono: Que em ninguém se permita o desenvolver do desejo de benefícios, capacidades ou bênçãos de qualquer tipo pela prática de meditação que executa; por isto não se pense e muito menos se anseie procurando tal tipo de lucro ou elogio. Que ninguém busque benefícios mas simplesmente seja e permaneça concentrado no focar e no respirar porque

 

« Não podes alcançá-Lo;

Não te podes livrar d’Ele.

Não podendo alcançá-Lo, o obterás.

Quando falas, é silêncio;

Quando estás em silêncio Ele fala. »

 

 

 

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[1] No chinês o termo é ‘ dez mil ’e isto significa em chinês ‘ inúmero ’ daí que se traduza por ‘ todo ’ ou ‘ todas ’ que é também o significado chinês do termo inicial.

[2] Ou O Caminho Da Grande Aprendizagem.

[3] Moderno desde, pelo menos, o processo Inquisitório Católico-Protestante.

[4] Das coisas debaixo da Terra, na Terra, nos Céus e sobre os Céus... desta forma o I Ching (I Jing) veio à luz sobre este planeta.

[5] Aqui e com toda a razão, alguém pode e deve obstar tratar-se do conhecimento investigativo tal como o assumimos hoje ao nível do conhecer estabelecido. Mas tudo isto abordaremos... por agora o importante é manter em mente o que foi dito sobre estados, clãs e famílias do ponto de vista do Bhagavad Gita.

[6] Devidamente dirigidos.

[7] O barco da vida de cada um está devidamente orientado da popa à proa, a bombordo e a estibordo.

[8] Que somos todos nós.

[9] Deva, anjo, inspiração do mundo espiritual.

[10] Porque o acaso existe.

[11] Comparativa.

[12] A tão chamada mentira piedosa como se a estratégia do nosso inimigo não fosse falsear no seu sistema de ataque e defesa, ou vice-versa.

[13] Religious ---» Buddha The Way.

[14] E, por favor, não me venham aborrecer os actuais puristas ocidentais com correcções de treta sobre a diferença entre as  afirmações ‘o yoga’ e ‘a yôga’, coisa que nunca vi ser debatida em todas as minhas incursões aos Ashrams hindus.

[15] Como já afirmei atrás, mas agora vou aprofundar tal como me tinha comprometido a fazê-lo.

[16] Antes da Era Comum, ou antes de Cristo (AC).

[17] Devemos ter em mente que nenhum mestre iria perder a possibilidade de partir do mais arcaico da transmissão oral para depois avançar com as suas propostas revelativas e reveladas. Daí por as obras de Lao Tzu serem tão íntimas ao I Jing.

[18] Nada tenho contra os documentos divinatórios mas e isso sim, contra a forma como são usados e deturpados perdendo, pelas suas publicações de cordel, toda a sua cultura ao ponto de haver inúmeras interpretações que aberram induzindo em erro quem as lê. Ora, isto não é uma classificação que valha; pelo contrário, é uma classificação inadmissível... é desconhecimento ou desprezo... ou ambas as coisas.

[19] Por objecto podemos entender uma cor, uma planta, uma flor, uma pedra, uma chama de uma vela, um símbolo, etc. mas de preferência algo simples, pelo menos numa primeira fase. A isto podemos denominar de Yantra e que posteriormente abordarei no seu sentido mais profundo.

[20] Este infalível depende do avanço de cada ser; isto é, é evidente!

[21] O Ser do Amor.